sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MARXISMO E A QUESTÃO RACIAL

Este livro é, por si só, revolucionário. Carlos Moore, conhecido intelectual cubano, a princípio também chegou a acreditar no discurso oficial do governo de sua terra-natal, Cuba, isto é, do governo de Fidel Castro, que se tornaria socialista alguns meses após a famosa Revolução Cubana de 1959. Discurso esse que pregava que, doravante, já não existe mais racismo em Cuba porque, de acordo com a teoria marxista, todos os proletários são tratados igualmente pelo governo revolucionário.
Após alguns anos, porém, Carlos Moore notaria que a prática não acompanhava o discurso. Carlos Moore percebeu que ttodos os lugares de poder e gerência do governo eram quase que praticamente ocupados por brancos, sendo praticamente nula a presença negra, que compõe cerca de 40% da população da ilha. O governo cubano, como não podia deixar de ser, não gostou nada disso e, mais tarde, Carlos Moore foi obrigado a seguir o caminho do exílio, onde travou conhecimento com figuras ímpares do movimento negro, como Cheik Anta Diop e Malcom X.
Por que o socialismo cubano hostilizou tão brutalmente Carlos Moore? a resposta, de acordo com o mesmo, está neste livro, na qual ele analisa qual o lugar do negro no socialismo e, por que não? de toda a esquerda. O autor apresenta provas contundentes de que o socialismo não apenas ignora completamente o racismo e o nega, mas o próprio racismo é um dos pilares fundamentais deste mesmo socialismo alegadamente protetor dos negros, o que explica por que ainda hoje discutir o racismo na esquerda causa tanto desconforto e mal-estar, quando não hostilidade pura e simples daqueles que alegam serem os defensores da raça negra.
Livro fundamental e indispensável para se entender a luta negra contra o racismo no Brasil, especialmente a lutar contra o racismodentro da própria esquerda.

LINK: CARLOS MOORE- Marxismo e a questão racial

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