terça-feira, 22 de outubro de 2019

PIGMENTOS

    Esta tradução foi feita calcada na tradução inglesa de Alexandra Lillehei em
2011, nas palavras da autora, “para o preenchimento parcial dos requerimentos do grau de bacharel em artes, com honras departamentais, do colégio de letras” da Wesleyan University.
    Fiz esta tradução porque, certa feita, nos meus estudos sobre minha
identidade racial negra, conheci o movimento denominado negritude, capitaneado por Aimé Césaire, Léopold Cédar Senghor e Léon Damas. Obviamente, busquei na internet, esta enorme biblioteca em escala mundial aonde você pode aprender qualquer coisa que você deseje (e tão mau-utilizada ou mesmo subutilizada pela imensa maioria das pessoas, que não fazem a mínima ideia do grau de poder posto em suas mãos por Ela) traduções em português destes autores. Encontrei duas traduções de Aimé Césaire, “Discurso sobre o Colonialismo” (imensos agradecimentos ao pessoal do site https://antropologiadeoutraforma.files.wordpress.com/2013/04/aime-cesaire discurso-sobre-o-colonialismo.pdf por distribuir este conhecimento de fundamental importância para o povo negro brasileiro) e “Diário de um Retorno ao País Natal”, traduzido por Lílian Pestre de Almeida, ao preço de cerca de R$ 40,00 na livraria Cultura online. Infelizmente na época, andava a passar por sérios problemas financeiros e não pude comprar este livro, pelo que fiquei a ver navios. Encontrei somente estes dois livros.
    Intensifiquei as buscas internet afora atrás dos outros dois fundadores da
negritude, sem sucesso porém. O máximo que encontrei foi exatamente esta
tradução em inglês do livro “Pigmentos” de Alexandra Lillehei. Meu inglês é
bastante precário, entretanto consigo me virar razoavelmente bem ao ler textos
nessa língua, pelo que comecei a lê-lo. Reparei, contudo, que eu conseguia me
virar e portanto podia estudar, ainda que precariamente, mas e os restantes meu irmãos negros, na sua imensa maioria nascidos sob o império da opressão racial branca, portanto sem ter tido acesso a estudos ao longo da vida? Ficariam a ver navios, e eu a desfrutar de meus privilégios linguísticos egoísticamente, como um típico membro da classe média negra? Não podia fazer isso. Até onde eu sei, não havia tradução deste livro de Léon Damas para o português, e não sei por quais motivos o movimento negro, formado em grande parte por negros estudados ou “sabidos”, no dizer dos negros pobres, muitos falantes praticamente nativos de francês e inglês, jamais viram valor em fazer imenso valor aos negros brasileiros, principalmente após o advento da internet, já que não há movimento negro se não há educação negra para as massas negras, isso é básico. De qualquer forma, sou adepto do “se não tem tu, vai tu mesmo” então, ainda que com um inglês precário, resolvi empreender esta tarefa monumental de traduzir este grande livro, mesmo estando longe, muito longe, de ser um bom tradutor de qualquer coisa.
    Esta tradução está licenciada com a licença Creative Commons, atribuição
4.0 internacional, o que significa que eventuais erros poderão ser revistos e
corrigidos por qualquer um, principalmente por quem (assim espero) seja
realmente tradutor profissional, embora tenha feito o máximo possível para que
esta tradução fosse a mais razoável possível. Tentei ser o mais literal possível na
tradução mas, lembrado do adágio italiano “traduttore, traditore”, tive que
modificar algumas palavras ou mesmo explicar ao leitor algumas coisas típicas da cultura na qual Léon Damas viveu e que, de outro modo, teriam ficado nebulosas na mente do leitor. Espero que o leitor perdoe-me por isto, e tire o máximo proveito de Léon Damas e seu livro Pigmentos.

FONTE: Pigmentos
KALAMA SUTTA

     "É adequado, Kalamas, que vós duvideis, que fiqueis incertos; a incerteza surgiu em vós sobre o que é realmente duvidoso. Vamos, Kalamas. Não creiais no que foi adquirido por audição repetida; não creiais na tradição; nem em rumores; nem no que está em uma escritura sagrada; nem em conjeturas; nem em um axioma; nem em raciocínio especial elaborado; nem em um preconceito contra uma noção que seja ponderada; nem em aparentes habilidades de outrem; nem na ideia: "O monge é nosso professor". Kalamas, quando em vós mesmos souberdes: 'Estas coisas são ruins; estas coisas são condenáveis; estas coisas são censuradas por quem é sábio;' e quando, após experiência e observação, percebestes que estas coisas conduzem ao dano e ao mal de vós e de outros abandonai-as".

Kalama Sutta, Siddarta Gautama (Buda).
 
     Tradução que fiz do pequeno tratado de sabedoria budista chamado Kalama Sutta, cuja autoria é atribuída ao próprio Buda. Um dos exemplos mais antigos de defesa do livre-pensamento na história da humanidade.

FONTE: Kalama Sutta
 
 

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

HISTÓRIA DO NEGRO BRASILEIRO

    Este livro, de autoria de Clóvis MOura, é leitura obrigatória para qualquer um que queira conhecer melhor a história da raça negra no Brasil. Sua linguagem, de fácil compreensão constitui-se em um verdadeiro catecismo, ao estilo "tudo o que você sempre quis saber sobre a história do negro brasileiro, mas não tinha a quem perguntar". Diferente de outros escritos acadêmicos, a linguagem popular que o autor usa é facilmente compreensível por nossa gente, que sabemos não ter acesso aos estudos ou mesmo à alfabetização como deveria. Espero que gostem da leitura.

FONTE: História do Negro Brasileiro

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

MARXISMO E A QUESTÃO RACIAL

Este livro é, por si só, revolucionário. Carlos Moore, conhecido intelectual cubano, a princípio também chegou a acreditar no discurso oficial do governo de sua terra-natal, Cuba, isto é, do governo de Fidel Castro, que se tornaria socialista alguns meses após a famosa Revolução Cubana de 1959. Discurso esse que pregava que, doravante, já não existe mais racismo em Cuba porque, de acordo com a teoria marxista, todos os proletários são tratados igualmente pelo governo revolucionário.
Após alguns anos, porém, Carlos Moore notaria que a prática não acompanhava o discurso. Carlos Moore percebeu que ttodos os lugares de poder e gerência do governo eram quase que praticamente ocupados por brancos, sendo praticamente nula a presença negra, que compõe cerca de 40% da população da ilha. O governo cubano, como não podia deixar de ser, não gostou nada disso e, mais tarde, Carlos Moore foi obrigado a seguir o caminho do exílio, onde travou conhecimento com figuras ímpares do movimento negro, como Cheik Anta Diop e Malcom X.
Por que o socialismo cubano hostilizou tão brutalmente Carlos Moore? a resposta, de acordo com o mesmo, está neste livro, na qual ele analisa qual o lugar do negro no socialismo e, por que não? de toda a esquerda. O autor apresenta provas contundentes de que o socialismo não apenas ignora completamente o racismo e o nega, mas o próprio racismo é um dos pilares fundamentais deste mesmo socialismo alegadamente protetor dos negros, o que explica por que ainda hoje discutir o racismo na esquerda causa tanto desconforto e mal-estar, quando não hostilidade pura e simples daqueles que alegam serem os defensores da raça negra.
Livro fundamental e indispensável para se entender a luta negra contra o racismo no Brasil, especialmente a lutar contra o racismodentro da própria esquerda.

LINK: CARLOS MOORE- Marxismo e a questão racial